poema itinerário
faiz dia que num mando
as notícia de jornada.
passei por arroizal, cafezal, miaral
e plantio de fejão, e alegrias.
vi jurubeba, cagueitera e mangaba.
manga rosa, manga piqui, coração de boi
e comum.
maria fecha a porta.
atravessei um corgo razin-razin.
dormi debaixo de tamarindeiro.
uma tardes dess campiei cuns vaquêro
e lavei um par de rôpa, junto cas lavadera
que cantavam rio.
peguei trem que me levou dali-pra-la, apartei lá
pertin onde vive uma família que mexe com
cantoria em fêra, em quermesse...
ganhei uma prenda, era uma brevidade.
na ida me encontrei com uma parenta, que manda
lembrança inté pra quem num conhece.
o sol levanta, a lua chega e eu num cheguei lá inda.
precisei mudar minha rota. pegar um ataio.
pensei inté ter pego foi um maloiado. ou um quebranto,
fui numa benzedera, que rezô pra mim e família, com terço,
gain de arruda e preces
a Nossa Sinhora e Nosso Sinhor dos Passo.
querdita que uma família que pedi pôso
istumaro cachorro brabo tudo da vizinhança.
nem tudo nessa vida é fácil, pensei que nunca
mais ia inscrever, nem em papel de pão, como
tô inscreveno agora. uma hora dess.
bá noite. inté. o sono chegô. e a primavera tá quais aí.
manhã cedo, vô a missa.