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sábado, 19 de agosto de 2006

poema itinerário
faiz dia que num mando 
as notícia de jornada.
passei por arroizal, cafezal, miaral
e plantio de fejão, e alegrias.
vi jurubeba, cagueitera e mangaba.
manga rosa, manga piqui, coração de boi
e comum.
maria fecha a porta.
atravessei um corgo razin-razin.
dormi debaixo de tamarindeiro.
uma tardes dess campiei cuns vaquêro
e lavei um par de rôpa, junto cas lavadera
que cantavam rio.
peguei trem que me levou dali-pra-la, apartei lá
pertin onde vive uma família que mexe com
cantoria em fêra, em quermesse...
ganhei uma prenda, era uma brevidade.
na ida me encontrei com uma parenta, que manda
lembrança inté pra quem num conhece.
o sol levanta, a lua chega e eu num cheguei lá inda.
precisei mudar minha rota. pegar um ataio.
pensei inté ter pego foi um maloiado. ou um quebranto,
fui numa benzedera, que rezô pra mim e família, com terço,
gain de arruda e preces
a Nossa Sinhora e Nosso Sinhor dos Passo.
querdita que uma família que pedi pôso
istumaro cachorro brabo tudo da vizinhança.
nem tudo nessa vida é fácil, pensei que nunca
mais ia inscrever, nem em papel de pão, como
tô inscreveno agora. uma hora dess.
bá noite. inté. o sono chegô. e a primavera tá quais aí.
manhã cedo, vô a missa.

sábado, 5 de agosto de 2006

poema itinerário
num sei se ando a esmo
ou ao léu. a derradeira
vivalma que encontrei em meia
poeira, confidenciou-me que aqui
é um esmo, num é mesmo?
um esmo, um léu, um fogaréu.
se foi-se com foice badobraço
e segui oiando ermidade de
o lugarejo.
qualquer vez mando lembrança da boa
se Deus quizé. amém.


poema itinerário
nem guentava mais de tanta buniteza
e belezura que minhas vistas avistavam.
o sol queimava a água do corguinho
onde descalcei meus pés
nágua. o corguinho é pertin. se bobiá
alcanço a estrada inda e chego lá
depois de o anoitecido.
hoje andei muito divagano. parecia que
pisava em ovos, inté contei os passos.
só quando passei perto duma capilinha
aresolvi de entrá. rezei pros meus dias,
minhas noites, inda rezei um terço.
depois de a jenuflexão e sinal da cruz
senti uma brisa de corgo.
ou riberão. ou açude. ajuntei minha
matula, minha capanga, meu imbornale...
nem creditava.
aguá branquinha, quinem cachaça. passei
um tempão ali
e as piabinhas correndo sem parar.

sábado, 29 de julho de 2006

poema itinerário acontecido de três antonte
já fazia uns três antonte sem brincadeira
que num mandava notícias, nem encomendas.
minhas desculpas.
enterti co'as rolinhas e pardais e
papa-capim e cum mugido de a vaca.
e co'as pedras de fogo então...
hoje inda carreguei umas pedras pruma
fornaia.
apiei inda a pouco, p'ra escrevinhar
rostos e faces que me deram pouso:
café, de cumê, de bebê, pão de queij,
biscoito frito, e água de corgo p'ra
banhar as idéias. e um paierin, porque
ninguém é de ferro.
devo muita obrigação a estas almas boas.
e os dedos...
que dedos de prosa e noites aluadas com viola
e sanfona. e uma cachacinha, porque
ninguém é de ferro.
nem queria seguir a jornada.
dei inté logo a ess povo tão acolhedor e
mais uma vez segui minha jornada.
tinha um trem pra contar, m'esqueci.
lembrança pra família. a bença meus pais.
colhi hoje umas frutinhas vermelhas
dessas que dão em cerca.
e colhi bons dias - inté breve

domingo, 23 de julho de 2006

poema itinerário volume dois pontos
inda nem bati o ponto.
caminhada dura minha. vendo bois e compro ois
e inté mais ver.
carreguei em a capanga umas laranjinhas capetas
e uma casa de joão-de-barro desabitada.
andei caçando um poste dess de madeira.
que marimbondo fazia morada.
pedi pouso por ali. pernoitei sem pregar
os olhos.
cafezais & palavras que eu trazia em a'gibeira.
se tudo correr bem, manhã eu observo umas
galinhas d'angola e uns passaros-pretos.
gosto de falar passo-preto. aprendi sempre
dizer passo-preto.
mas não gosto de ver animal piado.
ouvi dizer que vivem praquelas
bandas.
em manhã que vinha doirada, eu segui
esta minha jornada.
só agora apiei p'ra escriturar o que presenciava.
de a próxima mantenho inconformados...
com muito gosto.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

poema itinerário
faz alguns dias que exercito
uma nova rota.
amanhecendo, garrancho
um verso. e tomo um poema
p'ra desintoxicação. ou não.
uma frase não me sai de
a memória.
estou lendo em as calhas.
se chover, vai goteirar.
tento um rascunho novo
de a f[r]ase. se conseguir mando
notícias. me esmero.