sábado, 29 de julho de 2006

poema itinerário acontecido de três antonte
já fazia uns três antonte sem brincadeira
que num mandava notícias, nem encomendas.
minhas desculpas.
enterti co'as rolinhas e pardais e
papa-capim e cum mugido de a vaca.
e co'as pedras de fogo então...
hoje inda carreguei umas pedras pruma
fornaia.
apiei inda a pouco, p'ra escrevinhar
rostos e faces que me deram pouso:
café, de cumê, de bebê, pão de queij,
biscoito frito, e água de corgo p'ra
banhar as idéias. e um paierin, porque
ninguém é de ferro.
devo muita obrigação a estas almas boas.
e os dedos...
que dedos de prosa e noites aluadas com viola
e sanfona. e uma cachacinha, porque
ninguém é de ferro.
nem queria seguir a jornada.
dei inté logo a ess povo tão acolhedor e
mais uma vez segui minha jornada.
tinha um trem pra contar, m'esqueci.
lembrança pra família. a bença meus pais.
colhi hoje umas frutinhas vermelhas
dessas que dão em cerca.
e colhi bons dias - inté breve

13 comentários:

pedro disse...

, me esclarece uma dúvida?
o senhor é um mineirador?

|abraços meus|

carlos muzilli disse...

Pedro, eita sabadin mais antonte, falô ãntão di sanfona e violin fico já aperreado di querê essas modas, depois do cumidin si tiver uma a redi intão, fico nos agardecimentos. Ói mand'abraço pressas alminhas boas. Abraços poéticos.

Clarice disse...

como aprendiz de bocó
recolhí umas frutinha que tu s'isqueceu no caminho.
colha os meus bons dias também.
beijo meu

Mary disse...

Adorei! :)

Belas imagens em seu poema itinerário...

;**

Claudio Eugenio Luz disse...

Poema rasgado, violado; sons de longe, varrendo a nossa saudade.Lindo, heim.

hábraços, gerais

eduardo disse...

Poema lírico... Gostei.

朝川栄一 [Asakawa Eiichi] disse...

é uma prosa de acento inteiorano. delicioso!

Cristiano Contreiras disse...

Biscoito frito é uma boa!

bruna maria disse...

Senti um tom lúdico nesses versos! Nada melhor que colher bons dias... Um beijo!

Keila Sgobi disse...

hummm...
minêro?
sei naum...
ax quí é...cumé o nom miesm?

Mário de Andrade

Octávio Roggiero Neto disse...

Aqui, no por quimeras que pareça, Minas nos é retratada belamente, poeticamente, sobretudo, como a prosa das gentes simplizonas deste Brasil adentro, cuja liguagem, que inda é muito pouco sondada, está repleta de possibilidades que acrescentem algo de novo à língua portuguesa engomada. Somos aprendizes, portanto! Porque poeta que se preze é aquele que conhece as relevâncias que o precedem, no caso, Mário de Andrade, por exemplo, como lembrou a Keila, e absorve e acrescenta e prossegue o trabalho já começado.

Valéria disse...

os dedos de prosa dedilham os corações...
beijo de mim

Paulo Osrevni disse...

Eita! Grande poema: palavras!