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domingo, 27 de maio de 2007

poema itinerário
minhas apologias...
isturdia eu caminhava
avistando os meus escritos.
e com o olhar encontrado
de o horizonte.
atinei de olhar de trás
e de os lados algumas pessoas
seguiam-me tão famintas
tanto/quanto eus.
com meus olhos de lacrimejantes
antes de qualquer problema: eu disse:
em hálito e bom som
não sigam-me,
pois
, não sei onde minha rota vai dar
(inté sabia, mas cria que não queriam
ir té lá pronde vou.)
depois de muito burburinho, e um cado
de raiva de a minha pessoa
seguiram seus caminhos ou seguiram os caminhos
outros.
cada um tem sua sina.
Pedro Pan

segunda-feira, 7 de maio de 2007

poema itinerário
andava de cá pra lá
um tantinho perdido.
uma família me deu pouso.
fez um banquete. e eu gardeci falano uns versinhos
num cumi de um prato. acharo que fiz disfeita dess'
mexpliquei que não gostava.
depois do malentendido, em a varandinha que avistava
a fazendo de seu vizinho lá de longe
da berada da cerca...
a filha dess cantou uma modinha
o senhor coa viola, sua senhora nas palmas(flor)
a servente dess lá bateno cuiê na caçarola e eu
acompanhamo no bate a mão e os pé no assoai.
a moça era prendada
que ela só. veio vino trazeno
goiabada puxenta pá cumê de cuié. aí
eu já inté era minino uai.
mesbaldei, quais mimpanzinei.
a moça prendada vai simbora pra capital,
lá pros belorzonti, istudá pra ser dotora.
do-to-ra. pió quieu num sei se dotora de lei,
ou dotora de hospital memo.
me deliciei naquess dia ali, naquela fazenda veia.
di noite ajudava apartá o gado.
di manhã? tomava leite na caneca na berinha
da janela da cuzinha.
dicia e ia apanhá os ovos que galinha
co-co-ri-ca-va...
deixeu segui meu caminho, a prosa é boa.
mais tem muito chão inda.
inté.

terça-feira, 27 de março de 2007

poema itinerário
num sei se ando a esmo
ou ao léu. a derradeira
vivalma que encontrei em meia
poeira, confidenciou-me que aqui
é um esmo, num é mesmo?
um esmo, um léu, um fogaréu.
se foi-se com foice badobraço
e segui oiando ermidade de
o lugarejo.
qualquer vez mando lembrança da boa
se Deus quizé. amém.
Pedro Pan


poema itinerário
nem guentava mais de tanta buniteza
e belezura que minhas vistas avistavam.
o sol queimava a água do corguinho
onde descalcei meus pés
nágua. o corguinho é pertin. se bobiá
alcanço a estrada inda e chego lá
depois de o anoitecido.
hoje andei muito divagano. parecia que
pisava em ovos, inté contei os passos.
só quando passei perto duma capilinha
aresolvi de entrá. rezei pros meus dias,
minhas noites, inda rezei um terço.
depois de a jenuflexão e sinal da cruz
senti uma brisa de corgo.
ou riberão. ou açude. ajuntei minha
matula, minha capanga, meu imbornale...
nem creditava.
aguá branquinha, quinem cachaça. passei
um tempão ali
e as piabinhas correndo sem parar.
Pedro Pan

terça-feira, 6 de março de 2007

poema itinerário volume dois pontos
inda nem bati o ponto.
caminhada dura minha. vendo bois e compro ois
e inté mais ver.
carreguei em a capanga umas laranjinhas capetas
e uma casa de joão-de-barro desabitada.
andei caçando um poste dess de madeira.
que marimbondo fazia morada.
pedi pouso por ali. pernoitei sem pregar
os olhos.
cafezais & palavras que eu trazia em a'gibeira.
se tudo correr bem, manhã eu observo umas
galinhas d'angola e uns passaros-pretos.
gosto de falar passo-preto. aprendi sempre
dizer passo-preto.
mas não gosto de ver animal piado.
ouvi dizer que vivem praquelas
bandas.
em manhã que vinha doirada, eu segui
esta minha jornada.
só agora apiei p'ra escriturar o que presenciava.
de a próxima mantenho inconformados...
com muito gosto.
Pedro Pan

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

poema itinerário
faz alguns dias que exercito
uma nova rota.
amanhecendo, garrancho
um verso. e tomo um poema
p'ra desintoxicação. ou não.
uma frase não me sai de
a memória.
estou lendo em as calhas.
se chover, vai goteirar.
tento um rascunho novo
de a f[r]ase. se conseguir mando
notícias. me esmero.
Pedro Pan